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O castelo do Camelo.

O castelo do Camelo.

Mas onde é que está o dano!?

Ontém decorreu na sede do Bloco de Esquerda e trânsmitido para o mundo, mais um debate sobre a Cópia Privada. Infelizmente o streaming não era grande coisa e por isso foi muito complicado acompanhar o debate. Espero que o Bloco de Esquerda publique o vídeo numa plataforma, que funcione melhor, para que todos possam ver seguido e por inteiro.

Já fiz um primeiro comentário, mas há mais para se dizer...
A Paula Simões, bem que tentou, mas ainda não foi desta que nos disseram onde é que está o dano. Desta vez o Sr Wallenstein até poderá ter tentado explicar... Mas continua a não fazer sentido. Ele disse que o mercado é menor por causa da Cópia Privada. Isso pode em teoria acontecer. No entanto, em teoria até pode não acontecer, ou acontecer tão pouco, que não é relevante e que por isso não deve ser compensado.

Esquecem-se os senhores defensores da taxa, que a cada cópia feita, não corresponde uma venda perdida, porque a economia e o mercado são muito mais complexos que isso. Para que a uma cópia feita, se possa dizer que se perdeu uma venda, ainda se tem que comprovar que o potêncial comprador, teria motivação para efectuar a compra.

A motivação para a nova compra da mesma obra, é condicionada pela opinião pessoal  do potêncial comprador a respeito da qualidade da obra. O consumidor já pode testemunhar directamente a qualidade de obra e que por tanto pode ter uma opinião muito mais forte que teria antes da primeira compra. A opinião sobre a qualidade  da obra pode mudar radicalmente e com isso a vontade de fazer mais cópias, de voltar a utilizar a obra que comprou, ou pode até levar alguém a vender, ou oferecer em segunda-mão a obra. Pessoalmente já comprei obras que só utilizei uma ou duas vezes, que nunca copiaria e que possívelmente até vou desfazer-me delas.

Para que haja uma nova compra da memsa obra, além da qualidade da obra em si, ainda há factores económicos, como a condição financeira do potêncial comprador, a situação financeira e económica do meio em que vive. Há factores de mercado, por exemplo há obras que não se conseguem encontrar à venda, porque nem com a contar com as Cópias Privadas seria lucrativo fazer novas edições das obras e como tal, não seria possível comprar a obra de forma que compensasse o autor. E também há o casos em que as obras simplesmente nunca se venderam em algumas partes do globo e a maior parte das pessoas embora possa comprar alguma obra quando está de viagem, não vai fazer de certo outra viagem só para comprar nova cópia da obra que já tem. Há uma uma teoria especifica relacionada com ecónomia da cópia, que diz, que os consumidores reconhecem mais valor nas obras que podem copiar e que isso incentiva mais consumidores a fazer a compra da obra "original", ou seja, ao contrário do que o Sr Wallenstein diz. E quanto mais facilmente os consumidores conseguem fazer a cópia, maior é o valor da cópia. Ou seja, para que a Cópia Privada funcione como incentivo ao consumo, quem faz a gestão dos direitos patrimoniais dos autores e artistas, só tem que encontrar um equilíbrio adequado entre serem compensados pela criação da obra e por um determinados número de cópias e a capacidade do público para pagar uma compensação, para que esta questão seja resolvida em mercado em vez de fiscalmente.

Também não é possível ouvir o Sr Letria e o Sr Wallenstein a acusarem a industria e comerciantes de micro-ondas, de estarem a viver à conta deles. Como se a única razão de alguém comprar dispositivos electrónicos fosse para copiar as obras deles. E por isso um sector económico inteiro lhes devesse dinheiro. Querem eles fazer querer a todos, que não vendem também mais por causa das capacidades dos dispositivos e da sua integração com serviços de venda de cópias e de "streaming" de música. Trata-se obviamente de uma relação simbiotica e não de uma relação parasitica como nos estão a fazer querer.

A Internet, mais especificamente os sítios web dedicados ao vídeo e os dispositivos ligados à Internet. São a plataforma como surgiu um enorme número de artistas que bateram recordes de vendas para a industria (por exemplo Justin Bieber, Psy), ou outros que venderam menos mundialmente mas que são mais conhecidos cá no burgo, como a Mia Rose e a Ana Free. E claro depois há artistas/autores que fazem um tipo de obras completamente diferente, e que batem records de popularidade como o francês Rémi Gaillard, ou PewDiePie (seguido por 29 milhões). A maior parte dos artistas, autores e editoras, também usam os seus canais para promover as vendas de novos produtos e manter o interesse nos antigos e ainda ganham dinheiro com isso ao mesmo tempo (porque têm acordos com os sites de vídeo como o Youtube).

É uma mentira descarada que a industria esteja a privar os autores, editores e artistas de receitas. O que está a haver é que precisamente o oposto, a industria está a dar um um conjunto de oportunidades sem precedentes para levar produtos e serviços ao mercado. E os dispositivos electrónicos são a forma de os consumidores poderem aceder aos serviços e produtos e graças à integração vertical de hardware, software e serviços também a forma de os autores, artistas e editoras, serem compensados pelo seu trabalho, pois até os métodos de pagamento se tornaram digitais e "on-line" pela Internet.

Por muito que o Plácido Domingo (director executivo da IFPI), diga que o "on-line" e que os fabricantes e vendedores estão a viver à conta dos autores, artistas e editores. Mas a verdade é que o contrário também é verdade. E o único problema da IFPI e das editoras com isto, é o facto de estes novos artistas estarem a conquistar novos mercados sem dependerem dos oligopólios que têm dominado a cultura e entertenimento.

Só de 2012 para 2013, as receitas relacionadas com o streaming aumentaram de 15 para 21% de acordo com a Records Industry Association of América.
As quebras de vendas que existiram pela massificação do acesso a computadores pessoais e à Internet, deveu-se exclusivamente ao facto de os autores, artistas e editoras não se terem adaptado às novas realidades e agarrarem-se a um Direito de Autor demasiado restritivo que dificulta a comercialização de bens e serviços a nível global. Assim que a industria do software, hardware e serviços on-line começou a forçar estas barreiras e a encontrar ainda mais soluções técnicas, nem mesmo o estaticismo militante dos detentores de direitos de autor, impediu que ocorra alguma evolução. E ainda mais oportunidades vão surgir para os que quiserem de facto produzir valor em vez de recusarem a mudança.

De acordo com o a própria IFPI, em 2012 o digital a cresceu mais do que o analógico decresceu, ou seja, está a provocar uma expansão do mercado. Ou seja o digital não é o inimigo dos detentores de direitos. Mas talvez a crise económica seja. E talvez seja devido a isso que as receitas da industria não tenham voltado a aumentar em 2013, mas isso deveu-se em boa parte, devido à quebra no mercado Japonês (o segundo maior do mundo), porque o na Europa até creceu (dados do Digital Music Report de 2013 e 2014 da IFPI).

Os detentores de direitos devem pelo menos tanto à industria do digital, como a industria do digital deve aos detentores dos direitos.
É verdade que a maior parte das receitas ainda vem dos produtos físicos, mas isto está a inverter-se cada vez mais.


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