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O castelo do Camelo.

O castelo do Camelo.

A falta de Cultura no programa da "PaF"

Sobre a área da Cultura no programa da PaF, vou escrever pouco, mas isso vai dizer muito sobre o que a PaF propõem, ou não propõem:

  • Diz um conjunto de generalidades, sem nenhum aprofundamento que é necessário sempre necessário para compreender o verdadeiro sentido das medidas;
  • Não tem absolutamente nada sobre incentivar, ou proteger novos modelos de negócio, para aumentar a inovação e a sustentabilidade do sector (quando deveria ser mais empresarial é que o programa não o é);
  • Não diz nada sobre reformas no Direito de Autor. Corpo de Lei essencial para regular quase todo o sector da Cultura e ainda outras áreas como a arquitectura, engenharia de software (particularmente importante para a modernização do país, e até para aumentar o crescimento, modernizar a economia, atrair investimento e aumentar as exportações numa economia global);
  • Nada sobre tratar de forma mais igualitária perante a lei diferentes modelos de licenciamento das obras e os seus autores;
  • Não diz nada sobre o mercado digital único para as obras;
  • Nada sobre resolver o problema do desequilibrio de poder e consequentemente de rendimentos do trabalho entre autores e artistas perante os produtores/editores.

 

Mais um exemplo da falta de rumo e ausência de conteúdo que o programa demonstra.

Ciência no "progama" da coligação PaF

Aqui ficam alguns pensamentos soltos, sobre os aspectos relativos à ciência no programa da coligação PaF.


PaF, não compreende a ciência. Pensa que se trata de uma competição entre cientistas e instituições por fundos, para dar capacidade de engenharia às empresas.


A PaF, quer dar os fundos da ciência aos melhores. Claro que os melhores devem ser fundados, se precisarem de o ser (por vezes o seu sucesso pode ditar que não precisem de grandes apoios do Estado).

Mas então e os que começar e que por esse motivo ainda não podem ser os melhores (ainda não tiveram a oportunidade de ser). E os que não estão assim tão bem? Como podem eles ter a oportunidade de melhorar e até mesmo de se transformarem nos melhores?

Como tenciona a PaF apoiar os principiantes e os que precisam de fazer mudanças para que possam obter mais e melhores resultados?
Claro que o apoio a entidades que estão a ter níveis de sucesso diferentes tem que ser diferente e por vezes até em condições diferentes, mas o programa é omisso quanto a dar este apoio e também ao como.


No programa fala-se não só de premiar os bons com financiamento, mas também em haver avaliação para o suportar. Perante isso e por não encontrar respostas no programa, questiono-me:
Como tenciona a #PaF avaliar trabalho cientifico?
Estou a falar de trabalho como por exemplo:

  •  trabalho que não resulta na confirmação de na teoria a que o esforço se propunha confirmar: Obter resultados negativos a respeito de teorias também é ciência e útil para a ciência. Para a ciência como um todo é tão importante compreender por onde se deve ir, como por onde não se deve ir, por vezes até se acabam por desenvolver novas técnicas e obtém-se dados que podem ser úteis para outra investigação;
  •  trabalho de revisão ("peer-review"). Não há ciência quando não há replicação e confirmação/negação de resultados;



Fala em transferência de conhecimento para as empresas, não compreende o conhecimento tem que ser disponibilizado com o mínimo de barreiras possível para toda a sociedade. E assim sendo: não fala de Open Science, nem posso esperar que o compreendam ou até mesmo que saibam que existe.


Como é que se podem criar políticas com base na ignorância dos temas, é algo que o programa também não explica.

Aplicar lógicas empresariais a áreas que são profundamente diferentes é um erro, que pode resultar em catástrofe.

Não se fazem omeletes sem ovos... Nem ciência sem cientistas, meios técnicos e até mesmo dinheiro para pagar tudo isso.


Quanto à ciência o programa diz um conjunto de generalidades com as quais praticamente ninguém irá discordar, sem quase nunca concretizar o que quer que seja e sem ter nenhum tipo de conteúdo realmente relevante para quem trabalha, ou se interessa pelo tema.

Só para dar o exemplo, um dos principais problemas para a muitos dos ciêntistas em Portugal é que vivem de bolsas e a recibos verdes. Quem acham que isso vai atrair gente para trabalhar em ciência ponha a mão no ar.
O programa nem aborda este tema, nem soluções boas, nem más, é um vazio total.

Sistema Eleitoral

Segundo uma sondagem referida hoje em alguns canais de televisão, a maior parte dos portugueses gosta que hajam mais partidos políticos. Segundo a mesma sondagem, a maioria dos portugueses, não pretende votar nesses partidos.

Há várias razões para que os portugueses não queiram votar nos novos partidos, é pouco claro o detalhe da sua matriz ideológica, não são conhecidos os seus programas eleitorais e não se conhecem os possíveis candidatos da maior parte dos novos partidos (com a excepção dos que resultam dos abandonos de pessoas de outros partidos). Mas há uma outra razão para que os portugueses não pretendam votar nos novos partidos: o sistema eleitoral faz com que o voto não conte para nada.


A verdade é que o nosso sistema eleitoral não permite que os votos à esquerda o PS contém para alguma coisa a não ser para um enfraquecer de uma vitória da esquerda, ou até mesmo a sua derrota.

À direita este problema não existe, apenas porque não há uma diversidade política tão grande.



Até que ponto o sistema eleitoral, não impede os cidadãos de fazerem as escolhas que preferem, em detrimento de um voto útil para tentar impedir a vitória daqueles que os cidadãos não querem mesmo ver chegar ao poder?
Será que isso é verdadeira democracia?

Será que a tão apregoada cultura do compromisso alguma vez vai existir se os partidos não estiverem de facto obrigados a fazer compromissos para poderem governar e legislar?

Será que há verdadeira responsabilização política quando os candidatos das várias listas não podem ser ordenados por ordem de preferência dos eleitores?

Backups pela AGECOP

Tenho andado a fazer backups dos dados e das instalações dos sistemas nos computadores pessoais cá de casa.

Temos fotos e vídeos pessoais, emails antigos, ficheiros de trabalho, código fonte de programas que criei para uso próprio, imagens de máquinas virtuais de sistemas que já não uso, comprovativos de declarações de IRS, obras de diversos tipos licenciadas com Creative Commons, etc...) com vários anos, por tanto o volume de dados que ocupa é considerável apesar de não ser gigantesco, porque eu não tenho o costume de descarregar grandes quantidades de obras da Internet como muitos têm.

Nos últimos anos já tivemos perto da perda de dados várias vezes por os discos externos e de backups deixarem de funcionar. E assim decidi não só aumentar a cobertura dos backups, como criar redundância no armazenamento dos backups

Para além da redundância de que falei, também quero ter imagens dos discos com diferentes idades. Isto é útil quando por exemplo quero fazer upgrade de versões do sistema operativo e quero conseguir repor não só os dados dos utilizadores, mas todo o estado anterior do sistema caso o upgrade coloque o sistema num estado impróprio, ou caso a instalação/utilização de software pós-upgrade pelo que o ideal é ter uma imagem dos discos da máquina do momento imediatamente pré-upgrade e outra do imediatamente pós upgrade e guarda as imagens até estar seguro que tudo correu bem (e nesse momento fazer mais uma imagem).

Compreendo que tudo isto pode parecer algum exagero para alguns. E a verdade é que a minha experiência diz-me que dificilmente irá acontecer algo que faça com que todos estas precauções sejam necessárias. Mas a verdade é que o que não faltam são casos em que as pessoas que poderiam ter beneficiado de precauções deste tipo.

Sim eu sei o que é "armazenamento na nuvem". Contudo sei que quando se fala de "nuvens públicas", ou até mesmo "nuvens privadas" (em infraestrutura que não nos pertença), não existe nenhuma nuvem, o que existe são os computadores de outras pessoas. E isto tem implicações de segurança, privacidade, técnicas e comerciais, com as quais eu não quero ter que lidar para me dar o máximo de garantias que eu puder ter. Não quero dizer com isto que eu não tenha, ou use serviços deste tipo, tenho vários, mas não acredito que a minha última rede-de-segurança, deva estar dependente de algo com tanto potencial  de falhar.

Para implementar estas medidas vou precisar de vários discos de vários TB de capacidade (um total agregado de perto de 10TB de capacidade de armazenamento).

Cá em casa raramente fazemos cópias privadas de obras, é uma prática que já me trouxe algumas desilusões, principalmente porque os suportes ópticos que servem de suporte físico a obras audiovisuais que são comercializadas, danificam-se com alguma facilidade. Pelo que dificilmente haverá alguma cópia de uma obra que possa ser caracterizadas dessa forma entre os dados que pretendo assegurar.

Implementar isto é bastante caro, pelo que, vou ter que rever parte disto. Mas mais caro ainda poderá ser se a lei da cópia privada for aprovada. Se optar por ter apenas 4 discos discos para cópias de segurança iria gastar trinta Euros (30€) só para compensação equitativa da cópia privada, mas é preciso lembrar que o valor da da compensação é aplicado ao preço do produto, antes da aplicação do IVA, o que vai onerar bastante mais algo que é já de si bastante caro, pelo menos para a maioria dos portugueses.

Nem a AGECOP, SPA, GDA, APEL, nem os seus associados, nem os seus clientes, vão ser prejudicados por eu fazer estas cópias de segurança, não só porque eu não vou fazer qualquer cópia privada (provavelmente), como também porque eu nunca iria comprar mais nenhuma cópia de uma obra que eu tenha (a não ser por engano), aliás se eu tivesse que pagar aos detentores dos direitos pelo direito de fazer cópias privadas, provavelmente eu nunca iria comprar uma única obra, ou pelo menos compraria ainda menos (a não ser que fosse obrigado).

Essencialmente não compro música. O último CD de música que comprei já foi há uns três anos e a verdade é que mesmo antes disso, eu talvez comprasse um álbum por ano (em média). Também não faço copias ilegais, simplesmente oiço muita rádio (quer a tradicional, quer rádios na Internet) e também uso serviços de streaming gratuitos. Não sei como é que alguém pode pensar que eu compraria múltiplas vezes o mesmo álbum, porque isso parece-me uma ideia completamente extra-terrestre.

Cada vez que vejo um DVD que comprei legalmente estou a cometer um crime. Não tenho leitor de DVD dedicado e uso sempre um dos meus computadores. Como eu só uso Software Livre e não há Software Livre legalmente autorizado pelos criadores da norma do DVD, para poder ver DVD. E como pelo mesmo motivo o Software de leitura de de filmes em DVD só o consegue funcionar utilizando técnicas de quebra de DRM (o que é crime), tenho que cometer um crime para poder assistir a um filme pelo qual compensei todos os detentores de Direitos de Autores e Direitos Conexos.

O DRM presente nos DVD, também impede a cópia legal de todos os DVD de filmes presentes no mercado. Assim sendo, é ilegal fazer cópias de DVD, como tal as cópias não podem ser feitas. Esta é uma razão que me leva a não comprar DVD com frequência (mas não a única). O facto de os suportes físicos serem relativamente frágeis e serem físicos (é uma chatice andar com uma colecção de DVD às costas) e ainda assim sermos "de facto" proibidos desvaloriza o valor da obra que está a ser comprada (torna-a menos atractiva), porque há um risco significativo de ela ficar inutilizável, ou de não podermos aceder-lhe quando queremos/podemos.


Não tenho problemas morais e éticos de violar a lei, para assistir aos filmes que comprei legalmente. Se quiserem, venham prender-me! Contudo suspeito que as autoridades policiais, e judiciais tenho mais e melhor onde gastar o seu tempo e os escassos recursos que têm. Ouvi dizer que há crimes realmente graves, como a violência doméstica.
Apesar de violar a lei para assistir a DVD, não faço cópias privadas desses DVD, porque não tenho onde as gravar, por preguiça e porque não quero ir assim tão longe na ilegalidade (opção pessoal totalmente subjectiva e difícil de explicar).


Com estes argumentos torna-se fácil compreender que é falso que a compensação prevista na Lei da Cópia Privada, seja equitativa, ou justa. Quando eu não faço e sou mesmo proibido de fazer cópias privadas. E ainda assim querem cobrar-me várias dezenas de Euros pela protecção da parte digital da minha vida, sem que tenham feito algo por ela (aliás só a tentam dificultar). E aqui o problema não é serem dezenas de erros. O problema é que o princípio está todo errado, ou seja, é errado mesmo que fosse só 1¢.

Queres que Portugal mude? Muda-o tu!

Sim! Muda-o tu, tens essa oportunidade agora!

É comum ver os portugueses a queixarem-se da nossa liderança política e do que essa liderança faz. E também se queixam que os políticos são todos iguais e que não têm alternativas políticas que defendam aquilo em que acreditam.

 

Pois bem! Chegou o momento de mudar tudo isso!
Vários dos partidos mais conhecidos, estão a dar ao público em geral, oportunidade de participarem na criação dos programas eleitorais e em alguns casos até na escolha de candidatos (ou pelo menos de parte deles). As duas excepções mais notáveis são o Bloco de Esquerda e o CDS-PP e o PSD, realizou uma consulta organizada mais limitada (apenas a militantes) e sem grande anúncio público (excepto quando a consulta estava prestes a terminar).


E se acham que os partidos que não existem não servem? Tudo bem, já surgiu pelo menos dois novos partidos: o Partido Democrático Republicano, ou como toda a gente o conhece o Partido do Marinho Pinto) e o  Livre (mais conhecido como o Partido do Rui Tavares). Este último que não vai concorrer por si só mas sim como "cavalo de Tróia" do "Tempo de Avançar". E por falar em "cavalo de Tróia", parece que o Partido Trabalhista Português (conhecido como o Partido do José Manuel Coelho) vai ser o "cavalo de Tróia" do movimento Ag!r (mais conhecido por Movimento da Joana Amaral Dias).

Parece-me haver claramente o princípio de abertura e apelo à participação dos cidadãos. Nuns casos maior, em outros casos menor. Mas claramente trata-se de um comportamento ainda embrionário por parte dos partidos e com pouca adesão dos cidadãos.

A realização de eleições primárias (PS e Tempo de Avançar), são a par deste esforço de crowdsourcing dos programas eleitorais, o segundo maior esforço de abertura.

Não consigo dizer o quanto é importante que todos participemos, nem o quanto é importante que se faça mais pressão para que esta abertura aumente, não só onde começa a existir, mas também onde ainda não existe.

Se são simpatizantes destes partidos/movimentos, envolvam-se activamente esta é a maior oportunidade que tivemos desde o 25 de Abril de exercer verdadeira participação na vida democrática, de renovar a politica em termos de pessoas e ideias. Se não são, não deixem de participar de alguma forma, sugerindo medidas em que acreditem. Mesmo quando não concordamos com a generalidade da ideologia de um partido/movimento, há sempre pontos/medidas/políticas especificas em que podem haver convergências/compromissos. E para além disso demonstra que o povo está ansioso por exercer a sua soberania de mais e melhores formas.


Assim sendo aqui deixo alguns links para que possam participar:

 

Se tiverem conhecimento de mais iniciativas, ou de formas de participação, façam um comentário no blogue, que eu adiciono à lista.

The President of the Portuguese Republic vetoed the new Private Copy Levies

Today the President of the Portuguese Republic vetoed the new Private Copy Levies Law. This law that was proposed by the Portuguese Republic Government under pressure of the collective copyrights management entities, was very poorly written, and was the third attempt from in nearly as much years to update the current law, by governments and members of the Portuguese Parliament. The previous two where reppeled by popular opostion campaigns (with support of some associations).

As in previous atemps, the proposal faced major popular position lead by some bloggers, activists and associations of the Portuguese Free Software scene, the Portuguese National Association for Free Software (ANSOL), and the Free Education Association (Ensino Livre), also with significant support from the Association of Enterprises of the Electrical, Appliance, Fotografical and Electronics Sectors (AGEFE).
A big campaign as put together by both supporters and opposers of the law with the climax on major a national TV show debate. But the opposers managed to present a petition on the Parliament against the approval of the law. Never the less the law was voted and approved by the the government supported coalition (minus two deputies that voted against), with abstention of most deputies of the main opposition (13 voted against), and with votes against of the rest of the opposition.

The approval by the parliament was made even before the mandatory vote about the report about the petition, on what was called by the entire opposition has major betrayal of the fair expectations of the petitioners. Because the majority caved under the pressure of the rights management entities, that feared the Parliament had chance to read the report made by the First Commission (The Human Rights, and Constitutional Matters Commission of the Parliament).

After the approval the Free Education Association, announced that is preparing a complain to the European Commission, arguing that violations of the InfoSec Directive and disrespect of decisions of EU Justice Courts, could can't are motive for this law to be revoked by the Parliament. Others announced that would appeal to the President of the Portuguese Republic to vetoed the law.

Today in an unexpected turn-around (because the President is a member of the biggest party in government), the President announced that has vetoed the law, and presented the following explanation, that I'm translating (badly) to English (you can also read the official version in Portuguese):

«Madam President of the Parliament

Excellency,

Having received for approval has law on the March 11th of 2015 the Decree n.320/XII from the Parliament, that proceeds «to the second change, to the Law n. 62/98, from the 1st of September, that regulates the text of the 82nd article of the Authors Rights Code, about the private compensation dued related with the private copy». I've decided on the terms of 136th article of the Constitution, not proceed with the approval, with following rationale:

1 - On the regulation of the matter related with the «private copy» it's essential to reach a suitable balance between all concerned parties, mainly the right of the authors to be fairly compensated for the uses of their works, and the rights of the consumers to access on fair market conditions to goods and services of the digital economy.

2 - It's not by chance the debate about the «private copy», has the crossing the European Union and it's advisable to have a common regulation on this matter, to prevent asymmetries and disparities of market conditions, witch on a globalized market, might result in citizens to acquired digital goods and services abroad with prejudice for all involved parties, including the Portuguese authors.

3 - It's meaningful, that this debate has been reaching the level of the European Union legislative tools, and that European Union Court of Justice as produced jurisprudence on the matter.


5 - It also matters to consider the doubts about the equity and efficiency raised by the fact that the equipments are taxed independently of the purpose that is given by the consumers. And therefore can negatively impact the development of the digital economy, a area on witch the Country has some delays when compared with several of the European partners.

In this direction, considering the need for a new consideration of the several interests in presence with the aim of adopt legislation that is better suitable with the reality of the technological evolution, already verified e better conformity with the protection of author and consumer rights, I've decided to return to the Parliament, without approval the Decree n. 320/XII.

With a high consideration,
Palace of Bethlehem, March 31st of 2015
The President of the Republic
Anibal Cavaco Silva»

Não temos segredo fiscal!!!

Deveríamos ter, é um dos nosso principais direitos enquanto contribuintes. Mas por um conjunto de razões que eu vou explicar, não temos "de facto" um segredo fiscal, apesar de ele existir "de jure".

Existe uma disciplina técnica chamada «Segurança de Informação», que em inglês é chamada de «Information Security» (com mais frequência do que não, usa-se a abreviatura «InfoSec»). Como podem ver pela Wikipédia, os objectivos desta disciplina são os de proteger a informação de acesso, utilização, divulgação, modificação, reprodução e destruição, não autorizados, bem como proteger também contra a falta da sua disponibilidade fiável, autentica e atempada aos actores autorizados.

Um dos princípios básicos da InfoSec é o princípio da confidencialidade. Para garantir esse princípio básico, todas as normas de segurança de informação impõem a necessidade de haver um controlo de acesso discriminatório com base no princípio de disponibilizar o menor privilégio de acesso necessário.

Pelas notícias que têm vindo ao público a percepção que temos sobre o que acontece a respeito da aplicação da disponibilização dos menores privilégios de acesso à informação que for necessário, parece que está a ser corrompida, pelo facto de virtualmente todos os funcionários terem acesso a toda a informação de todos os contribuintes.
Quando todos têm todo o acesso, não há de facto controlo de acesso.

Não há a necessidade de que todos ou muitos dos funcionários tenham acesso a todos os dados de todos os contribuintes todo o tempo. O que é necessário, é que os funcionários e os sistemas que estão a executar procedimentos e processo administrativos, por instrução de superior hierárquicos tenham acesso aos dados específicos dos contribuintes específicos afectados por aquele processo, ou aquele procedimento naquele momento.

Possivelmente para muitos processos e procedimentos, os funcionários até podem nem necessitar de saber a quem pertencem os dados (pelo menos se não se verficar nenhum tipo de inconformidade, ou se não houver algum outro tipo dado suspeito, que o justifique), só de saber que pertencem à mesma pessoa, ou às pessoas que estão em causa no procedimento, ou processo. Ou seja, é possível que para determinados processos ou procedimentos, os funcionários só necessitem de ter acesso a informação anonimizada.

Há ainda outros dois casos em que os funcionários poderiam ter acesso a todos os dados, ou disponibilizassem acesso a esses dados, que são os casos:

  • de haver um pedido do contribuinte ao qual os dados pertencem,
  • ou por instrução judicial (através de procedimento judicial apropriado);


O risco para a segurança da informação agrava-se ainda mais, quando se sabe que os Funcionários Públicos, têm vindo a ver reduzidos salários e regalias, sendo que muitos acabaram por se ver a eles e às suas famílias em situações em que são muito mais susceptíveis a serem aliciados para cometer actos ilegais.

Chegou também a público a informação que uma das contas de utilizador que mais foi utilizada para aceder aos dados do Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho, não é uma conta que esteja univocamente relacionada com um funcionário.
Quando uma conta de utilizador não esta associada somente a uma pessoa é muito mais difícil e dependendo de outras circunstâncias, pode mesmo ser impossível, determinar com certeza quem realmente acedeu a quais dados. E mais uma vez isto é uma violação das recomendações e boas práticas da InfoSec.
Todos os acessos  que têm feitos de forma autenticada e univocamente identificada e têm que ser registados, para posterior inspecção.
Se não é possível identificar pessoalmente quem está a tentar realizar um acesso, não é possível com eficácia garantir que só quem está realmente autorizado acede dados.


A falta de uma relação univoca entre uma conta de utilizador e uma pessoa permite repudiar uma acusação de acesso ilegítimo aos dados e criando imediatamente a dúvida que uma condenação judicial.

Tendo tudo isto em conta e a vontade de governos, empresas, jornalistas, políticos e outras pessoas com intenções maliciosas em obter a informação que está à guarda da AT, podemos dizer que não há "de facto" segredo fiscal e que o risco de disponibilizar dados à AT é absoluto, para qualquer pessoa que tenha algum tipo de inimigo com alguns meios financeiros.

É escandaloso que quer a AT, quer o Governo da República, quer alguns dos deputados da Assembleia da República, estejam a defender, que é com medidas meramente dissuasoras, pouco eficazes e eficientes, desrespeitadoras de alguns dos mais elementares direitos dos cidadãos perante o Estado (princípios republicanos) que se garante a segurança dos nossos dados. Em vez implementando medidas eficazes, de acordo com todas as normas da InfoSec, de negar acesso a quem não tem um motivo atendível e legal para aceder aos dados.

É também escandaloso como nem, a oposição política, os jornalistas (que têm a obrigação de informar o público), nem sequer os movimentos associativos relacionados com tema, nem o meio académico, questionam estes lideres do país a este respeito!!

O país parece já não ter sentido critico!!!

New tech, same old mistakes...

People keep doing the same mistakes but with "new" technology.

Few years ago people started using Java and Flash for client side web, and they broke the Web on many ways. People are now falling into the same mistake with Javascript.

I'm not against Javascript. It's a very useful technology. But it needs to be used wisely, to improve the Web, not to break it.
We can use Javascript to massively upgrade the user experience, while also increasing the server side response capability. However, Javascript has also a potential for revive many problems.

Do use Javascript to build upon existing server side capabilities, and to complement them. Use progressive enhancement/graceful degradation approaches. This will improve fault tolerance while empowering users to use what they want how they want, when they choose to.

Are we really evolving software or are we just increasing the technology dependency and complexity threeshold, to do even the most simple things we already used to be able to do easly and many time with a lower technical and economical cost!?
In "1998", we used to be able to read a text, using just a simple HTML document. But nowadays on many websites, you won't be able to read text or to see a thumbnailed picture (frequently pre-generated static content), unless you execute their (and often also severall third parties) Javascript frameworks and scripts. How is this any better? Isn't this just over engineering?


Is Javascript bad?
No way!!
Besides improving the traditional web experience, javascript can enable us to fully use brand new awesome web features that I love, like: websockets, web Vídeo and Audio, scripting canvas, scripting WebGL, Web RTC, synchronize "live/dynamic" multi-media content (just look at Mozilla Popcorn.js), access to local storage for some client side persistent data. And many other cool things. But while we should enable people and content providers with this features. I can say you should use them wherenever it's possible, but also don't depend on them whenever it's possible.



Ask yourself, some of this questions:

  • Should a user have to trust your and third code, enable him to access your content/functionalities, that can be achieved without Javascript?

  • Are you sure that the third party JS framework aren't on compromised servers?
    Have you ever used JQuery, while including the code from JQuery servers?
    (If your answer is yes, you've already exposed your users to code on compromised servers)

  • Do you believe your site will never fail if a third party hosted framework for some reason is not accessible or becomes broken on some user-agent you haven't tested (nowadays it's common on mobile environments)?

  • Do you want your content to be indexed by search-engines?

  • Do you want your content to be preserved for the future by the Internet Archive and others?

  • Do you think it's fair that your server does way less processing and you use less traffic, but the client loads way more content and has to process much more, even much more than it will need to do simple very thinks that can be achieved without Javascript to access static content, or content that isn't even client side generated? Or you think the users should be allowed to make their own choices, even if the experience becomes somewhat inferior (but still useful for their purposes)?

  • Do you believe it's fair to impose the user more processing of untrusted code, just for the sake of "eye candy"?

  • Besides doing Javascript, can you also provide any alternative application (as Free Software) and/or any alternative web version?



Think about those questions before using javascript for something, and find good technical case-by-case compromises for you, your users and the Web. And keep in mind that people care mostly about content and simple and useful functionality. So use Javascritp to provide more of that, not to prevent it.


Maybe these other articles can explain better, or complement my point:
http://tantek.com/2015/069/t1/js-dr-javascript-required-dead
http://htmlcssjavascript.com/web/youre-so-smart-you-turned-javascript-into-xhtml/

Que diz o Relatório da Euro-deputada Julia Reda sobre a Cópia Privada?

A Euro-deputada alemão Julia Reda (Partido Pirata Alemão), que havia sido nomeada como relatora do relatório sobre os efeitos da Directiva 2001/29/CE. Publicou recentemente o seu relatório e um conjunto de emendas ao relatório.

O relatório tece um conjunto de comentários sobre os efeitos da directiva e faz recomendações para corrigir os problemas que a directiva falhou em resolver, ou que introduziu.

Nos comentários, podemos ler que:

  • a directiva falhou em harmonizar o regime legal, pois embora tenha assegurado uma protecção mínima dos autores, artistas, interpretes e outros beneficiários dos direitos conexos, mas falhou em harmonizar as legítimos aos direitos, ou seja, não há harmonização dos direitos mínimos dos utilizadores. Isto é um duplo falhanço porque também falham em balancear os direitos, expectativas dos utilizadores, como também a clareza e simplicidade do ambiente legal. E ainda um obstáculo para todos os que querem ter operações comerciais trans-fronteiriças dentro da UE, devido à grande divergência entre as excecpções legais em cada país e das formas como podem ser gozadas;
  • a eventual obrigatoriedade da existência de todas as excepções em todos os países, não colocaria em causa os direitos dos beneficiários do Direito de Autor e Direitos Conexos, graças ao "teste dos três passos", da directiva;


Quais as recomendações que a deputada faz (e que dizem respeito à Cópia Privada)?

  • a Cópia Privada, como de todas as outras excepções previstas na directiva (as chamadas utilizações livres),  a deputada defende que todas as excepções existentes na directiva, devem passar a ser obrigatórias em toda a UE, acompanhadas de recomendações sobre a aplicação do "teste dos três passos" para assegurar os direitos legitimos dos autores;
  • não devem haver licenças estatutárias. Prevenindo problemas como o "google tax" que existe em Espanha e na Alemanha e também que uma solução semelhante seja aplicada à Cópia Privada;
  • deve haver harmonização da definição da Cópia Privada em todos os países da UE (o que inclui também coisas como definir âmbito dos dispositivos e suportes abrangidos). Bem como medidas para transparência dos sistemas de taxas. O que é um pouco vago, mas onde talvez se possa incluir a necessidade de haverem estudos que comprovem os prejuízos económicos!?
  • o usufruto dos direitos dos utilizadores não deve, ser impedido por medidas tecnológicas como o DRM;
  • quando são aplicadas medidas tecnológicas que limitam o usufruto de direitos dos utilizadores, então devem ser obrigatórias medidas que permitam a utilização legal dos direitos dos utilizadores como o acesso ao código fonte das medidas, ou especificações de interfaces de programação, para permitir a circunvenção legal das medidas e a interoperabilidade;


Algumas das recomendações são vagas, outra em especial a última acho que não é a medida apropriada se significa que os utilizadores não puderem quebrar o DRM de outras formas. Mas isto é um relatório, e não uma nova directiva e globalmente as propostas da deputada são moderadas e não extremistas como muitos esperavam sendo ela de um partido pirata.

O estado polícial da Inês de Medeiros

Em todas as audições feitas a propósito da Lei da Cópia Privada, a deputada Inês de Medeiros (Partido Socialista), defendeu sempre como única alternativa à taxa compensatória do prejuízo da Cópia Privada é vivermos num estado policial.

É incrível, como uma deputada do PS acha que um detalhe do Direito de Autor, pode justificar passarmos a viver numa ditadura (não sei se com um Salazar em cada esquina).

A deputada não parece achar justificável a necessidade de vivermos num estado policial para combater: a violência doméstica, o tráfico de droga, o tráfico de seres humanos, ou até pelas violações do Direito de Autor. Mas no entanto é para ela um imperativo moral fazer os consumidores legais de obras, pagar uma taxa (por um direito que podem, ou não exercer) é para ela tão grande, que a única alternativa a ter o esquema actual sem nenhum tipo de alteração significativo, é após a compra legal uma cópia de uma obra (e assim ter compensado autores, artistas e interpretes), termos todos um polícia ao nosso lado a cobrar por cada cópia privada que fazemos daquilo que já pagámos.

Quando forem votar lembrem-se!

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