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O castelo do Camelo.

O castelo do Camelo.

Um pouco de cada um, faz a diferença

Na nossa vida nem sempre conseguirmos fazer o que queremos, ou fazer as coisas da forma correcta. E isso por vezes aborrece-nos, porque talvez sejamos daquelas pessoas que quer deixar uma pegada positiva no mundo.


É um facto que isoladamente a maior parte de nós raramente tem a oportunidade de fazer a diferença positiva a que aspiramos. É por isso que muitas vezes nos organizamos em grupos (associações, cooperativas, fundações, etc...), porque juntos multiplicamos as nossas forças, cobrimos mutuamento os nossos pontos fracos e idealmente podemos agir de forma mais sustentável. Mesmo que em grupo não consigamos atingir esses objectivos, é mais fácil chegar lá, do que isoladamente.

 

Alguns de nós têm a felicidade de por alguma razão (agora não interessa qual para cada um) de ter acesso a mais meios do que a maior parte dos outros. Seja esses meios bens materiais, tempo, ou capacidade financeira.
A estas pessoas aproveito para fazer o meu apelo a que dêm um pouco estes grupos que se esforçam para ajudar a fazer a diferença, seja a doação em forma de trabalho, bens que sejam necessários, ou dinheiro.
Dêm o que podem, seja muito, seja pouco. Não estou a sugerir que percam a capacidade de ter para vocês, de poupar, ou de descansar e estar com os vossos, só que dêm mesmo que de forma simbólica, acostumem-se a dar e eduquem os vossos filhos para isso.


Este ano já fiz várias doações para várias organizações e farei ainda mais algumas. Entre as quais encontram-se, por exemplo:

 

Mas há ainda mais formas  de dar, por exemplo sou sócio de várias associações com as quais colaboro pontualmente e às quais pago quotizações. E compro produtos/serviços a empresas que aderem aos meus ideiais, comprovadamente com acções reais resultante da integração desses valores nas prática diárias das empresas.


Lista de Podcasts

Desde algures em 2015 que comecei a ouvir podcasts. Oiço cada vez mais... Comecei por ouvir o Governo Sombra, depois o Bloco Central ambos programas de rádio da TSF, depois o Hello Internet (um "produto", de criadores que trabalham na Internet) e de repente muitos outros.

Alguns dos podcasts oiço "religiosamente", outros oiço um ou outro episódio. O valor que retiro deles também varia bastante.

Como quero partilhar o meu gosto por estes programas com todos, deixo aqui a lista de podcasts que neste momento ando a ouvir (sem nenhuma ordenação particular):

 

Conto começar a ouvir mais alguns:

 

Que podcasts é que vocês ouvem?

FBI Vs Apple, a batalha pelo realismo

Num episódio recente do Last Week Tonight, o sempre divertido John Oliver explica razoavelmente porque é que devemos defender aquilo a que agora muitos chamam "encriptação forte". Podem ver o vídeo aqui:





Contudo eu acho que há alguns argumentos melhores, e vou explicar alguns:

 

Encriptação é conseguida com matemática.

Ao contrário de muitas coisas na nossa vida não é possível negociar para que 2 + 2 = 5.
Podemos tentar fingir que 2 + 2 = 5, mas não é. E como em tudo na vida, negar a realidade por muito desagradável que ela tenha facilmente acaba por nos trazer consequências negativas mais tarde.

Enfraquecer a encriptação, ou a segurança dos procedimentos operacionais da sua utilização para facilitar as tentativas de quebrar com uma enorme quantidade de tentativas por segundo. Pode de facto facilitar a tarefa legitima das autoridades legitimas, com um mandato judicial legitimo. Mas infelizmente isso compromete todos e não apenas quem é o alvo do mandato.

 

Há uns anos, o Governo dos EUA, proibiu a exportação de software que suportasse "encriptação forte". O resultado dessa proibição, foi que as empresas passaram a só criar e vender software com encriptação fraca, que podia ser facilmente quebrada por quase qualquer um com intenções maliciosas.
Ao constatar os efeitos negatívos na segurança informática, o Governo dos EUA  acabou por reveter essa decisão de embargar a encriptação forte. Contudo infelizmente foi demasiado tarde e ainda hoje vivemos algumas as consequências negativas deste embargo à "encriptação forte", porque ainda é utilizado algum desse software que faz uso dessa encriptação fraca.

 

A História ensinou-nos uma lição é bom que não a tentemos esquecer, porque actualmente os efeitos negativos podem ser muito piores para a sociedade como um todo e para cada um dos indivíduos que compõem.

 

A encriptação, tal como a matemática e muitas outras áreas do conhecimento humano são universais, ou seja por todo o mundo há muita gente que a conhece profundamente (embora menos que a própria matemática).

Mesmo que algum país decida banir dentro das suas fronteiras a "encriptação forte", a realidade é que ela tornou-se demasiado útil e importante para demasiada gente em todo o mundo, e por isso ela estará disponível para todos os outros. Aliás ela estará mesmo disponível dentro do país que a tentar proibir, porque certamente muitos vão aceitar correr o risco de a utilizar sem autorização do governo.

Simplesmente não há forma eficaz de conter a encriptação forte.

Tentar impedir a "encriptação forte" é um acto tão fútil quanto estúpido, e só colocará em risco os cidadãos cumpridores da lei, porque a encriptação forte protege mais e melhor os cidadãos e os estados todos os dias, que todas as forças policiais, militares, e tribunais de todo o mundo.

Acabar com essa "encriptação forte" é extraordinariamente irresponsável!

 

A encriptação forte também é a forma mais barata e simples de proteger os cidadãos e estados uma grande quantidade de ameaças, que serão cada vez mais prevalecentes num mundo em que está tudo digitalizado e interligado.

 

Eu lamento imenso o efeito secundário seriamente negativo que a encriptação forte tem na segurança e na justiça, mas o forte efeito positivo que tem também para a segurança e para a prevenir a necessidade de usar a justiça, ultrapassa largamente o efeito negativo que ela tem.


Por tudo isto eu sou contra qualquer enfraquecimento da encriptação, ou enfraquecimento objectivo da sua utilização.

Abster não é protestar é sabotar a democracia

Não votar, é marcar uma posição política, só que não é para o bem da democracia.

 

Votar em liberdade é um direito que custou muito a muitos para conquistar. É também uma responsabilidade que temos todos em garantir pelo menos o regular funcionamento da democracia e assegurar a liberdade.

 

Muitos dos portugueses queixam-se dos políticos que são eleitos (e em larga medida com alguma razão), mas demitem-se de os escolher, ou de criar alternativas. Isso não é cidadania, não é marcar uma posição politica, é marcar a inacção politica é tentar impedir e evolução.

 

A democracia, não é um sistema de governação, é um sistema de escolha de governantes e políticas. Não tem o objectivo de garantir as melhores politicas e as mais correctas execuções da política, mas sim que é que o povo decide de forma colectiva, que seja feito. Mas essa escolha só pode começar por ser representativa da vontade colectiva da totalidade do povo, se a totalidade do povo votar.

 

Não votar, não é pedir mais democracia, nem procurar melhor governação é precisamente garantir que há menos democracia e pior governação (porque os mais militantes votam e esses são menos exigentes com os seus).

Marcelo, não quero a minha saúde dependente da tua fé

O perigo dos conservadores estarem no poder, fica bem claro nas palavras do Marcelo Rebelo de Sousa hoje.

Apesar de concordar com a maior parte do que ele disse sobre o Sistema Nacional de Saúde (SNS). Não concordo nem acompanho sobre o que ele diz em relação à confiança, que na verdade ele confunde com fé.

Confiança e fé não são a mesma coisa!!!

A confiança deve derivar de conhecimento com base em transparência, na previsibilidade fiabilidade e qualidade dos serviços prestados pelo SNS. E não só porque é bom para alguém que as pessoas acreditem na qualidade do serviço independentemente de ela existir ou não.

Não estou a dizer com isto que o SNS não tem qualidade, nem que é o melhor serviço de saúde do mundo. Estou a dizer que as pessoas devem dar valor a factos e à verdade. E não a fantasias.

É com base nos dados, nos factos e na realidade que precisamos de ser governados. E se continuamos a descarta-los para dar lugar à fantasia, vamos caminhar para a desgraça.

O SNS está como está! Tem coisas boas e coisas más. Se é melhor que tenhamos confiança nele, é obrigatório que essa confiança tenha como base um SNS que responde com qualidade às necessidades daqueles que recorrem a ele. Se não formos realistas quanto ao que ele tem de bom, mas também tem de mau, nunca vamos ter um SNS em que não ocorrem problemas graves como os que têm sido tornados públicos recentemente.

O Professor Marcelo, os conservadores em geral e quem mais quiser tem todo direito a ter fé. Até têm o direito a apelar a que os outros também a tenham fé. Mas eu não quero a minha saúde, nem a saúde dos portugueses na mão da fé, mas sim da realidade e nos factos. E também não quero que os portugueses fiquem cegos num optimismo imbecil com base na fé.

Mantenham a vossa fé longe da nossa política!

Ajuda-nos a salvar a reforma do Direito de Autor!

As reformas estão em perigo de não serem relevantes, porque os políticos do "sistema", estão a tentar impedir qualquer mudança realmente realmente relevante para re-equilibrar o Direito de Autor. Mas segundo a Euro-Deputada Julia Reda, ainda não é tarde demais para podermos derrubar mais uma barreira à sanidade no Direito de Autor.

 

Da forma como estão as cosias agora, as mudanças que a Comissão já propôs e vai propor, vão ser mínimas:

  • o geoblocking não vai terminar;
  • a harmonização dos direitos dos utilizadores será mínima;
  • haverá uma taxa por colocar links nas Web;
  • não se sabe ainda o que irá ser feito para reforçar os direitos dos autores perante os editores/produtores e distribuidores;
  • as bibliotecas continuam a ter problemas com os empréstimos "on-line" de obras em formato digital;
  • não haverá mais transparência na taxa da cópia privada
  • o DRM continuará poder a impedir actividades totalmente legais, mantém a criminalização da quebra do DRM mesmo para fazer utilizações legais das obras;
  • o direito a fazer paródias, continuará a não ser harmonizado;
  • não haverá harmonização na duração do Direito de autor nem será feito nada para limitar as constantes extensões da sua duração para satisfazer as grandes editoras/produtoras em detrimento do interesse público;

 


 

Apesar de tudo, e como diz a Deputada Julia Reda, ainda vamos a tempo de conseguir uma reforma justa, e de bom senso.

A Comissão Europeia está a realizar uma consulta pública sobre vários destes assuntos. E todos nós podemos participar.

Faz ouvir a tua voz!!!

Participa na democracia!!!

Ajuda-nos a arranjar o Direito de Autor!!!

A Insegurança da Informação no Estado

Como é possível que o Estado seja tão incompetente na protecção de informação como processos judiciais e dados fiscais?

 

Com o alegado propósito de proteger a segurança da informação sobre os cidadãos, foram como sabemos até criados mecanismos como "listas VIP". No entanto as escutas, os interrogatórios, todo o tipo de documentação de processos judiciais vem a público, aparentemente sem grandes dificuldades. Até mesmo os dados fiscais daqueles que estavam em "lista VIP", estiveram e estão expostos a todo o tipo de devassa.

 

Como é que do ponto de vista político, da responsabilidade, e também do ponto de vista técnico possível que esta informação e estes dados não estejam de facto protegidos?

 

Como é possível que as informações e dados dos cidadãos e de processos judiciais não estejam suficientemente protegidos ao ponto de evitar que eles sejam tornados públicos quase diariamente!?

 

Para mim as explicações que existem são tão claras e simples, quanto revoltantes. E demonstram mais uma vez a total falta de seriedade e competência dos políticos que nos governam e também a sua corrupção.

Note-se que quando falo de corrupção não falo necessariamente do tipo de corrupção que envolve interesses económicos e negócios com vantagem para benefício próprio, embora também em alguns casos seja justo suspeitar de tal possibilidade). Falo antes da corrupção que é não estarem comprometidos com politicas e actos de governação que tenham como objectivo a promoção daquilo para o qual foram eleitos e/ou nomeados: a promoção do melhor interesse público.

 

A segurança da informação faz-se controlando quem pode aceder a que informação/dados, quando e como. O registo de quem o fez é interessante para efeitos de auditoria e talvez de alguma dissuasão, mas não é uma medida que possa impedir quem quer que seja de aceder de forma não autorizada, ou de copiar esses dados e os disponibilizar a outros, nem impede que quem quer que seja adultere os dados.

As disciplinas de segurança de informação têm estudado e desenvolvido ao longo da história, diversos tipos de medidas, como por exemplo de autenticação, autorização, identificação, etc... Poucas das medidas são de facto novidade técnica, embora tenham vindo a beneficiar de diversas inovações tecnológicas. E no entanto, o Estado Português tem sido escandalosamente negligente na adopção de quaisquer medidas eficazes para proteger dados e informação.

 

Já todos vimos (nem que seja na televisão), documentação de processos judiciais em forma de papel, sem qualquer tipo de protecção e conservação. E esta não é uma caricatura da situação é uma parte muito relevante da situação em que nos encontramos.

 

A desmaterialização/digitalização, mudança de leis, regulamentos, protocolos, processos e procedimentos, são essenciais (a par de outras medidas) para que se possam adoptar medidas tecnicamente relevantes no âmbito da segurança da informação. Como a integração de mecanismos seguros de autenticação, controlo de acesso, criptografia, e um vasto outro número de medidas.

É preciso garantir que damos acesso aos sistemas e aos dados privados, a quem precisa, quando precisa e se precisa. E não a todos, nem a quem não confiamos, ou não sabemos se podemos confiar.

 

Até agora os políticos não têm (de forma geral), promovido nenhuma destas medidas, nem sequer disponibilizam meios humanos, técnicos e financeiros apropriados para que o Estado possa ter capacidade real de ter segurança de informação. Em vez disso preferem demitir-se da sua obrigação de compreender o tema, os problemas existentes e as soluções que as instituições do estado necessitam. Preferem limitar-se a passar a responsabilidade exclusivamente aos funcionários públicos e aos fornecedores do Estado, para que depois na hora de assumir responsabilidade se algo falhar, nada lhes possa ser cobrado. Foi a isso que assistimos por exemplo no caso das "listas VIP" na Autoridade Tributária.

 

Necessitamos políticos comprometidos com a resolução de problemas e não com a manutenção do "status quo" e também não demasiado preocupados com a sua manutenção em cargos políticos e que não estejam na cama com interesses económicos em detrimento do interesse público.

Sistema Eleitoral: E votar no Multibanco!?

Quais as diferenças de votar numa máquina do Multibanco (uma ATM), quando comparado com votar numa cabine de voto, depositando papél que contém o voto numa urna na sua secção de voto?

Há quem defenda que o risco não é diferente do risco de ser coagido a levantar dinheiro contra a sua própria vontade.
Eu não consigo concordar com essa opinião, nem acho que hajam mais benefícios de votar numa ATM, do que no sistema tradicional de depositar um voto em papél numa urna.


Comparemos as condições físicas de votar num multi-banco com votar numa cabine de voto:

No multi-banco, frequentemente há câmaras de filmar (embora só nos que estão dentro dos bancos), nas cabines de voto não há câmaras de filmar, nem é permitido haver câmaras de filmar na secção de voto excepto (as que o eleitor leve consigo, mas que não deve usar).
Havendo câmaras de filmar podemos criar uma expectativa de que é pouco provável que as pessoas sejam alvo de coerção física no momento da votação, contudo também pode criar uma situação para poder haver represálias. Em teoria abstracta as câmaras de filmar podem estar a filmar em quem o eleitor vota e isso pode ser usado para castigar o eleitor por ter votado em determinado sentido. Também ajuda a fazer com que se possa mais facilmente identificar os eleitores e o seu sentido de voto. Por exemplo: para quem foi o voto que foi depositados pelo eleitor com este cartão de multi-banco/cartão de cidadão àquela hora!?


Há claramente algum risco para eleições em haver câmaras de filmar nas secções de voto, e perante esse risco podemos escolher actuar de várias formas:
 1) não permitir votações nas ATM onde há câmaras de filmar;
 2) auditar os sistemas de CCTV dos locais onde há ATM;
 3) desligar os sistemas de CCTV onde há ATM;

Desligar sistemas de CCTV em bancos parece-me particular-me má ideia. Também junto de máquinas que armazenam estas quantidades de dinheiro, ou nas quais se podem fazer grandes transacções financeiras. Também me parece má ideia que as ATM não tenham dinheiro, nem possam ser usadas para fins financeiros sempre que há eleições (isso teriam custos muito grandes, quer na recolha do dinheiro, quer nos negócios que se perdem). Por isso vou à partida excluir a terceira opção como uma opção viável.

Quais os pontos fracos da opção 2)?
Sobram essencialmente as ATM no exterior de edifícios, onde os eleitores podem ficar à chuva, ao sol, ao calor, ao frio e ao vento. Se alguém acha que os portugueses não votam por motivos meteorológicos, gostava de ver se iriam votar nessas situações.

Pontos fracos da primeira opção?
Os locais e sistemas de CCTV teriam que ser previamente inspeccionados e teriam que permanecer auditaveis até depois do fim do processo eleitoral. Quem iria fazer essas inspecções e essas auditorias? Quem o pagaria?
Os partidos não têm nem a capacidade técnica, nem a capacidade financeira para o fazer nesta escala... Mesmo que não se auditassem todos, teriam que ser feitas auditorias suficientes para que fosse garantido que o resultados não teria sido afectados por eventuais fraudes sustentadas parcialmente neste aspecto. E continua a não haver capacidade para o fazer.

Desligar os sistemas também não chega, porque teríamos que confirmar que os sistemas tiveram desligados durante todo o processo e que os eleitores não eram afectados pelo medo de que eles pudessem estar ligados.



O que é que acontece nas secções de voto actuais?

Não há sistemas de CCTV. Ninguém pode acompanhar o eleitor à cabine de voto e ninguém pode tirar uma foto por cima do ombro ao boletim de voto que o eleitor preencheu. O eleitor pode colocar o boletim na urna e isso acontece tudo em público sem que nunca ninguém para além do eleitor saiba para quem foi o voto depositado por esse eleitor (a não ser que seja o único voto).

Com o sistema actual, não há nenhum registo sobre quem votou a que horas, nem forma de os votos estarem secretamente a ser contados sem que os eleitores saibam. Num sistema de voto electrónico não há forma de provar que isso não acontece à generalidade dos eleitores.

Para mim é claro que na perspectiva do local de votação o risco de votar numa ATM é muito maior do que o risco de votar numa secção de voto.


E a implantação física do sistema Multibanco comparando com a disponibilidade de secções de voto quando há eleições?

Há secções de voto em todas as freguesias. Não há ATM em todas as freguesias e as distâncias para chegar a ATM em algumas zonas do país são muito superiores às de chegar a uma secção de voto.



Se as pessoas não saem de casa para ir a uma secção de voto, porque iriam a um ATM?

Em algumas grandes cidades de Portugal, algumas secções de voto têm uma grande afluência de eleitores a certas horas do dia da eleição. Contudo essa está longe de ser a realidade da maior parte do país. Na maior parte do país votar é coisa que demora frequentemente menos de cinco minutos entre chegar à secção de voto e sair.
Eu moro numa sede de conselho dos arredores de Lisboa (o município tem perto de duzentos mil habitantes e a cidade tem mais de vinte cinco mil) e não me lembro de ter demorado mais de cinco minutos a votar (é possível que tenha acontecido, mas terá sido a excepção).
O problema da demora na votação resolve-se de forma mais fácil e mais barata aumentando o número de urnas, mesas e secções de voto, do que mudando o sistema eleitoral.

O voto electrónico só resolveria a questão da preguiça, se a votação fosse pela Internet. Mas isso é algo que tem outros problemas que justificam por si só um artigo dedicado.



Então e os fabricantes de ATM. São de confiança?
Pelo menos um dos maiores fabricantes de ATM de todo o mundo, esteve metido no negócio das máquinas de voto electrónico.
O referido fabricante, esteve envolvido em vários escandalos relacionados com fraude eleitoral e por também financiar partidos políticos. É a estas entidades que queremos confiar a nossa democracia?

Sistema Eleitoral: A PaF propõem voto preferencial e electrónico

Sistema Eleitoral: A PaF propõem voto preferencial

Esta é uma das propostas mais concretas que estão no programa eleitoral da coligação que nos governa faz e à qual ninguém está a dar atenção. A proposta é a adopção de um sistema de voto preferencial.

Os sistemas de voto preferencial permitem que os eleitores votem em quem preferem de facto e não em quem eles menos desgostam, num voto estratégico para evitar que aquele de que se discorda mais seja eleito.


Apesar de o sistema de voto preferêncial poder reforçar a possibilidade de haver mais hipóteses de haver mais representatividade ele também partilha defeitos que o nosso sistema tem:

  • É mais representativo, mas não é pluralista. Ou seja, os eleitores votam ordenando por ordem de preferência, dando assim mais possibilidades às suas listas/candidatos preferidos, mas no entanto os mandatos apurados vão continuar a tender para uma quantidade limitada de partidas (com o tempo só dois, como acontece agora).
  • Os vencedores podem deter uma maioria de mandatos, mas só representar verdadeiramente as preferências principais de uma percentagem muito menor dos eleitores. Neste sistema o problema é menos grave porque todos os candidatos não são excluídos por muitos eleitores à partida para fazer um voto estratégico, mas o problema continua a existir de forma clara.
  • Não resolve o problema de falta de personalização dos mandatos. Fazendo com que não possam haver verdadeiramente responsabilização pelo trabalho de cada eleito.
  • As listas dos partidos continuam a servir o "sistema", em que se castigam, ou recompensam os eleitos de acordo com a sua obediência ao partido a ao chefe. Reforçando assim ainda mais a sua fidelidade aos partidos e não ao povo que o elege.

Os problema da representatividade e pluralidade podem ser um pouco reduzidos, ou agravados dependo do esquema de ciclos eleitorais usado.
Os ciclos uninominais, por resultarem apenas em um vencedor por ciclo acabam com a pluralidade e com a representatividade, mas os ciclos plurinominais podem dar representatividade e proporcionalidade. E havendo para além de ciclos distritais plurinominais um ciclo nacional também plurinominal, o sistema pode ver vários dos seus problemas mitigados. Mas os restantes problemas persistem.

Esta proposta tem potencial para poder ser um, pouco melhor que a proposta do Partido Socialista, que defende a introdução de ciclos uninominais de que falei num artigo anterior e ligeiramente melhor que o sistema actual dependendo da forma como é implementada. Mas se for combinada com essa proposta, pode ser tão má quanto essa.



Outra proposta da PaF, é a introdução do voto electrónico.
Eu já disse é desastroso, para a confiança no sistema eleitoral.
O voto electrónico é muito mais difícil e caro de auditar, faz com que a maior parte dos cidadãos não tenham competências para participar nessa auditoria e também é muito mais vulnerável a diversos ataques com vista a cometer fraudes eleitorais. E isto não é só teoria, isto é dito com base em fraudes e tentativas de fraude que já ocorreram onde há sistemas de voto electrónico.

Sistema Eleitoral: Oh Partido Socialista! Explica-me lá!

Oh Partido Socialista! Explica-me lá, como é que se pode passar a ter um sistema de ciclos uninominais, sem diminuição da representatividade, como defendes no teu Programa Eleitoral.



Uninominal, significa um nome, ou seja uma pessoa eleita. Se só uma pessoa é eleita num ciclo, a representatividade da vontade do eleitorado diminui. Aliás o vencedor apesar de ter mais votos do que cada um dos seus concorrentes, pode representar uma quantidade muito pequena de eleitores desse ciclo.


Há sistemas eleitorais que permitem «a proporcionalidade da representação partidária, promovendo o reforço da personalização dos mandatos e da responsabilização dos eleitos, sem qualquer prejuízo do pluralismo» (como diz no teu Programa Eleitoral). Mas quando só um representa o ciclo, não garantes que o pluralismo não é prejudicado.


Se for criado um ciclo nacional, para compensar a falta de representatividade, perde-se imediatamente aquilo que se quer obter com os ciclos uninominais: a personalização e responsabilização dos mandatos.
Com um ciclo nacional não só existe o mesmo problema que com os actuais ciclos distritais, como também o problema é agravado por o ciclo ter muitos mais mandato e consequentemente muitos mais candidatos. Mas pode ser ainda pior se os eleitos pelos ciclos uninominais resignarem ou suspenderem os mandatos.



Não há ponta por onde se pegue aos ciclos uninominais e as recentes eleições no Reino Unido provam isso mesmo. Presumindo que alguém no Partido Socialista fala inglês. Recomendo que vejam este vídeo o vídeo que está a baixo, que explica porque é que os ciclos uninominais são péssimos para garantir a pluralidade e a representatividade da vontade expressa pelo eleitorado.





Se quiserem uma boa ideia (ou pelo menos a menos má ideia), para um sistema eleitoral que aumenta a personalização e garante um grande nível de pluralidade e representatividade da vontade dos eleitores expressas nas votações então sugiro a adopção do sistema de voto único transferível com listas abertas. O sistema pode ser mais complicado no que toca à apuração dos mandatos, mas isso não é nada que não possa ser resolvido facilmente com tecnologia.




Por falar em usar tecnologia, por favor, não defendam a adopção do voto electrónico. É uma péssima ideia, é muito menos confiável, como é explicado neste outro vídeo e também não nos dá nenhuma grande vantagem dada a dimensão do universo de eleitores no país e da grande rapidez do processo de contagem no nosso caso.


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